Voltavam a pé para a casa da mãe, ela e o sobrinho, Lucas, três anos de idade, depois de uma tarde na Bibliotheca Municipal. Desta vez, não cheiraram Quintanas, Verissimos, Cecílias. Exploraram como lagartixas a Casa da Fada dos Livros (assim é para os dois): sua escadaria, seus salões, o teto de vidro colorido - o menino o chamou de clarabóia -, o piso corrido e escorregadio, às vezes quente, outras, gelado. Esfregaram as barrigas no chão*, ele muito mais do que ela, ora no mármore, ora na tábua encerada. Acho que por isso mesmo, ele, mais do que milhares de toda gente, escutou o que a Terra guardava sem esconder de ninguém.
- Cuca, o que queres que eu te dê de Natal, neste ano?
- Cuca, o que queres que eu te dê de Natal, neste ano?
- Nada, Déia.
- Como assim "nada"?
- Assim nada.
(Muitas risadas)
- Lucas, o que queres de presente? Pode pedir pra mim.
- Hmmm, eu quero uma Déia.
(Novas risadas)
- Mas tu tens uma Déia!
- Então eu quero mais uma Déia.
Bom, quanto ao Papai Noel... Ave, Fada dos Livros!
Bom, quanto ao Papai Noel... Ave, Fada dos Livros!
(*)Leio e releio sobre os "seres desprezíveis" em Manoel de Barros.
