Entre, fique à vontade. Sente, relaxe, aproveite. Vai ser um pouco alto, mas eu sou assim mesmo**. São apenas lagartixas divinas *** - as minhas lagartixas. Às vezes, partos cerebrais***. E nada mais.



(*) crédito a Ton K.; (**) Marvin Gaye; (***) Nietzsche















quinta-feira, 19 de março de 2015

Copo de leite morno

Gosto muito de como o escritor Milan Kundera classifica os livros: em diurnos e noturnos. Depois de A Insustentável Leveza do Ser, passei a perceber minhas leituras assim, ainda que instintivamente já o fizesse. Leio menos do que gostaria, menos ainda do que deveria, mas tenho sorte na escolha dos títulos. E com títulos de amigos. E com os amigos que indicam os títulos. 

De uma dessas literaturas noctívagas emprestadas, tomei uma bela lição:

"Ninguém consegue realmente ser grande, quando não aprendeu a ser pequenino". (Emmanuel)

Embala o sono. Mas é dia, agora.

Jornalistas

Entrei num ônibus, meio desequilibrada. Fui parar direto no... olhar sorridente de um senhor com ar cavalheiro. 
Ele cumprimentou-me como quem tem muita intimidade. Devolvi o "oi" na mesma moeda. Faz bem para as almas. 

Foi que ele desejou, em volume bem público:
- Que Deus te ilumine! 
Lasquei: 
- Ué, mas por quê?

Perguntadeira diplomada. Não bastava agradecer ao anjo?! 

Alemoa difícil de moer

Baixa temporada

Gosto de conhecer de verdade os lugares, pelo avesso. Descobrir, explorar, garimpar. Dispenso pacotes, obviedades, alta temporada. Gosto de demorar-me com as ruelas, os moradores, os ventos, as casas, as matas, os cheiros, as pedras... as águas e as areias! E gosto de fazer isso sozinha ou, no máximo, em boa companhia. Gosto de conhecer pelo avesso. E de quem gosta de avessos.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Coisas que salvam minha vida - alguns e algumas.

Pão caseiro quentinho com margarina e açúcar;
a revoada improvável de 'cocotas' no céu cinza-insistente que abobadeia a umidade totalitativa do ar satolepense e suas mediocridades caminhantes...;
escutar nietzsche, eslabões e kunderas na vitrola, a todo volume (interno);
tropeção por encostar o nariz no céu tentando adivinhar o que as nuvens dizem com esboços de suas profecias e sonhos e mitos e verdades e lendas e... coisas;
"fugir" para dentro de uma piscina cheia de chocolate ao leite derretido, como se Pat Adams providenciasse o meu banho gigante de macarrão ao molho de tomate;
"Deu pra ti" no agreste paulistano do apartamento a dois dias do Porto Alegre;
imitar a seis pernas "um vampiro, um lobisomem, um saci pererê" no mesmo apartamento agreste a dois dias do porto alegre; repetir isso a quatro pernas (duas ainda curtas), três anos depois, e ver que aquilo realmente salvou a minha vida;
desenho animado a café com leite, muito nescau e açúcar (no café com leite!);
banho de regador com água aquecida na chaleira no fim de tarde da primavera-quase-verão;
abraços honestos de completos desconhecidos;
índios, especialmente os transparentes;
nuança, Pessoa e Quintana;
aparição de beija-flor, oboé e cítaras; 
música celta, de tão raro que é...;
chocolate napolitano;
procurar o cruzeiro do sul no céu e ver que ele ainda é igual ao que está desenhado no meu braço esquerdo, apesar de um profeta dizer que "não é o mesmo céu que você conheceu, não é mais";
ouro branco - o bombom, logicamente;
pés de jabuticaba. Subir neles e comer deles;
susto de lagartixa durante a madrugada de leituras no sofá da sala; perereca na porta de vidro de casa, naquela respiração volátil de "bochechas" desesperadas; 
gargalhadas, o Cuca e a cuca e o Cuca comendo cuca (de chocolate);
o menino dos cabelos de arcanjo correndo atrás da bola. Às vezes, de mim.

Moa. Moa, moa! 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Seu Íntimo, muito prazer!

Tem muita gente que ignora o seu íntimo, até ele ser tocado de alguma forma. Eu pensei muito nisso depois de ouvir uma conversa entre um homem de uns 35 anos e uma mulher mais velha, na verdade uma tentativa dele de ajuda ao próximo:
- (...)
- Mas e o que diz o seu íntimo?
- Quem?
Ela não sabia quem era aquele senhor. Pela espontaneidade na resposta, parecia alguém muito distante da sua realidade. Formou-se um abismo entre os dois por alguns segundos. Ele retomou a fala, repetindo a pergunta com a mão sobre o peito da senhora. Só assim ela entendeu o questionamento. Foi preciso alguém chegar perto para fazê-la perceber algo aparentemente desconhecido. Foram apresentados: a senhora e o seu íntimo. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Sobre pernas e aipins: do sol, brotam as verdades

Época difícil essa, de calorões, tempestades - e de saias, bermudas e virações.

Um dos meus tios, piadista nato e "alemão das grotas", dizia que sofre muito quando o sol forte começa a brotar nas cidades: são tempos das alemoas saírem de saia curta e colocarem os aipins de fora (as pernas), com todas as suas nervuras, pra "cozinhar" ao sol. Provoca um certo ofuscamento, uma vontade de não querer enxergar as coisas como elas realmente são. 

Eu? Dava muitas risadas. Gosto de verdades.

Andréia Alemoa. Moa, moa - se puder!
Inelutável.

Da minha lista de "palavras para degustar"...