Nem os colonos são mais como antigamente.
Na feira de orgânicos da JB, pedi para me venderem uma cana-de-açúcar inteira. O suco é bom, mas não tem gosto de pretérito mais que perfeito. Fui criada mastigando cana. A lembrança da minha avó materna, descascando aquelas taquaras doces e me entregando, com um olhar da cor do céu, uma caneca de alumínio cheia de pedaços dessa iguaria (pra mim, hoje) é das lembranças mais significativas que eu tenho.
Mas a agricultora da banca do suco de cana riu de mim. Achou engraçado eu preferir passar trabalho a beber o líquido espremido por uma pequena geringonça. E os outros porto-alegrenses também me olharam com estranheza. Se bem que há certa lógica: uma loira esguia, de cabelos californianos e vestido assimétrico, carregando, entre várias sacolas, um meio metro de cana-de-açúcar é uma visão... provinciana, ao menos.
Mal sabem aquelas pessoas estranhas que essa alemoa aqui precisa é de retocar as raízes - capilares, geográficas e anacrônicas.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Miolos em série? Oremos!
Fui fazer as unhas em um salão novo, o que me estimula a observação detalhada. Vi uma mulher de meia-idade, colocando um aplique no cabelo. Baixava a cabeça, dava nós entre os fios naturais e os da peruca, estalando algo parecido com um tique-taque daqueles de enfeitar criança.
A cena era realmente intrigante: o nariz estava coberto por esparadrapos, de orelha a orelha, quase. Fez-me pensar mais sobre a recauchutagem hominiana...
Eu sempre fui contra a plastificação gratuita dos corpos. Mas venho mudando de opinião. Tenho achado muito bom as mulheres se encherem de silicone, botox, apliques, fios de ouro e o que mais aparecer para esticar ou inflar definitivamente o ego. Por quê?
Com o pagamento facilitado, os preços das cirurgias plásticas popularizados e a persistente mediocridade da Educação dos brasileiros, a tendência é não sobrar lugar para recapagens de toda sorte, a não ser... o cérebro!
Sim!, me conforta imaginar que essa obsessão pela perfeição da aparência, e seus respingos nas pessoas almadas, acabe por deixar um vazio tão grande do espírito que as bonecas, digo, as pessoas passem a se desesperar por preencher a mente.
Oremos para que não fabriquem miolos em série. Basta-nos a imputação de Bárbies e Bobs por todos os lados.
A cena era realmente intrigante: o nariz estava coberto por esparadrapos, de orelha a orelha, quase. Fez-me pensar mais sobre a recauchutagem hominiana...
Eu sempre fui contra a plastificação gratuita dos corpos. Mas venho mudando de opinião. Tenho achado muito bom as mulheres se encherem de silicone, botox, apliques, fios de ouro e o que mais aparecer para esticar ou inflar definitivamente o ego. Por quê?
Com o pagamento facilitado, os preços das cirurgias plásticas popularizados e a persistente mediocridade da Educação dos brasileiros, a tendência é não sobrar lugar para recapagens de toda sorte, a não ser... o cérebro!
Sim!, me conforta imaginar que essa obsessão pela perfeição da aparência, e seus respingos nas pessoas almadas, acabe por deixar um vazio tão grande do espírito que as bonecas, digo, as pessoas passem a se desesperar por preencher a mente.
Oremos para que não fabriquem miolos em série. Basta-nos a imputação de Bárbies e Bobs por todos os lados.
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