Entre o queijo e os vermes* ainda apenas depositado na sala, Katrina costura suas teses como se quisesse ser Menocchio e anota:
"Esteve morta por mais de 30 anos, quando só então começou a morrer de verdade. Começou a viver enquanto viva para morrer na hora certa: A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida. Caso não se viva no tempo certo, então nunca se conseguirá morrer no momento certo. Toda vida não vivida ficará latejando dentro de você! A questão é que escolher viver implica outra escolha: é uma opção entre o conforto e a verdadeira investigação. E (...) se você matar Deus, terá também que deixar o abrigo do templo. Se a gente sofre? É claro que você sofre, ora! Coração bola! É o preço da visão. Dá medo? É claro que você sente medo, viver significa correr perigo. A solução?
Torne-se rijo! Você não é uma vaca e eu não sou apóstolo da ruminação**.
(*) O livro O queijo e os vermes, de Carlo Ginzburg. O livro!
(**) Nietzsche, claro. E colagens com Nietzsche..."

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