Jabuticaba tem gosto de infância, da minha infância!
Levávamos seis horas pra chegar à casa dos meus avós e tudo de que eu precisava era que meu pai me escolhesse para abrir a porteira e subir no pé de Jabuticabeira. Parecia o próprio pé-de-feijão das fábulas, sempre me orgulhei disso. A casa era toda de pedra, a uns dois metros do chão. Ficava difícil deixar os colchões de mola e pular o degrau até a bica d'água do poço artesiano, de ferro, pesada, comprida feito gangorra - outra coisa fantástica para mim.
A infância é mesmo mágica... Voltei lá ontem (devo ter ido outras vezes, mas não recordo): a casa é de alvenaria, o desnível não tem nem meio metro, a bica de ferro foi roubada e a jabuticabeira, que ficava bem no meio do terreno, está no mesmo lugar, ao lado da casa. Tem o tronco tão grosso e tão alto quanto qualquer outra árvore da espécie. Mas o sabor da jabuticaba, ah!, esse continua exatamente como era pra mim há 25 ou 30 anos.
Hoje, entendo melhor ainda Pessoa (e as pessoas): "Sou do tamanho do que vejo, não do tamanho da minha altura". Ou mais ou menos isso.
Passo do Sobrado, RS, fevereiro de 2013.

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