Nem os colonos são mais como antigamente.
Na feira de orgânicos da JB, pedi para me venderem uma cana-de-açúcar inteira. O suco é bom, mas não tem gosto de pretérito mais que perfeito. Fui criada mastigando cana. A lembrança da minha avó materna, descascando aquelas taquaras doces e me entregando, com um olhar da cor do céu, uma caneca de alumínio cheia de pedaços dessa iguaria (pra mim, hoje) é das lembranças mais significativas que eu tenho.
Mas a agricultora da banca do suco de cana riu de mim. Achou engraçado eu preferir passar trabalho a beber o líquido espremido por uma pequena geringonça. E os outros porto-alegrenses também me olharam com estranheza. Se bem que há certa lógica: uma loira esguia, de cabelos californianos e vestido assimétrico, carregando, entre várias sacolas, um meio metro de cana-de-açúcar é uma visão... provinciana, ao menos.
Mal sabem aquelas pessoas estranhas que essa alemoa aqui precisa é de retocar as raízes - capilares, geográficas e anacrônicas.
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