Fui fazer as unhas em um salão novo, o que me estimula a observação detalhada. Vi uma mulher de meia-idade, colocando um aplique no cabelo. Baixava a cabeça, dava nós entre os fios naturais e os da peruca, estalando algo parecido com um tique-taque daqueles de enfeitar criança.
A cena era realmente intrigante: o nariz estava coberto por esparadrapos, de orelha a orelha, quase. Fez-me pensar mais sobre a recauchutagem hominiana...
Eu sempre fui contra a plastificação gratuita dos corpos. Mas venho mudando de opinião. Tenho achado muito bom as mulheres se encherem de silicone, botox, apliques, fios de ouro e o que mais aparecer para esticar ou inflar definitivamente o ego. Por quê?
Com o pagamento facilitado, os preços das cirurgias plásticas popularizados e a persistente mediocridade da Educação dos brasileiros, a tendência é não sobrar lugar para recapagens de toda sorte, a não ser... o cérebro!
Sim!, me conforta imaginar que essa obsessão pela perfeição da aparência, e seus respingos nas pessoas almadas, acabe por deixar um vazio tão grande do espírito que as bonecas, digo, as pessoas passem a se desesperar por preencher a mente.
Oremos para que não fabriquem miolos em série. Basta-nos a imputação de Bárbies e Bobs por todos os lados.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário