Faço poucas coisas por dinheiro, o que, sei bem, me exclui de numerosas disputas - as disputas selvagens, claro, se é que existe outro tipo de disputa no mondo cane* do hall da Sala Escura. No entanto, há uma moeda que me seduz impiedosamente no oceano da bonança material: a liberdade, unicamente a liberdade.
Nunca como no "Novo Mundo" os ricos foram tão incrivelmente ricos e nunca esses mesmos ricos foram tão inusitadamente parcos e jamais esses mesmos incríveis e inusitados parcos ricos foram tão facilmente ricos. Eles são livres nesse sentido do poder ir. Não é a essa liberdade mecânica que me refiro. Se todo mundo tem seu preço, o meu é esta senhora: a douta liberdade Stricto sensu, estrita e restrita (há, sim, outras liberdades ou uma suprema). O termo é paradoxal – para mim, ao menos. Contudo, no seu exercício, nada é mais generoso, nem mesmo o prazer, não a glória, não o poder: "O dinheiro é belo, porque é a libertação".
A falta do dinheiro (me) impede o poder-ir, o "ir" sem privações - sequer de grandes privilégios, como o experimento de si mesmo. Fico imaginando-me em tubos de ensaio, sem gênero, cor, número ou grau, espalhada em pequenas placas, observada por mim mesma através de microscópios potentes, em situações adversas, infectadas, virulentas, e, então, desvelada até os átomos mais profundos da minh’alma - por mim mesma!
Nunca como no "Novo Mundo" os ricos foram tão incrivelmente ricos e nunca esses mesmos ricos foram tão inusitadamente parcos e jamais esses mesmos incríveis e inusitados parcos ricos foram tão facilmente ricos. Eles são livres nesse sentido do poder ir. Não é a essa liberdade mecânica que me refiro. Se todo mundo tem seu preço, o meu é esta senhora: a douta liberdade Stricto sensu, estrita e restrita (há, sim, outras liberdades ou uma suprema). O termo é paradoxal – para mim, ao menos. Contudo, no seu exercício, nada é mais generoso, nem mesmo o prazer, não a glória, não o poder: "O dinheiro é belo, porque é a libertação".
A falta do dinheiro (me) impede o poder-ir, o "ir" sem privações - sequer de grandes privilégios, como o experimento de si mesmo. Fico imaginando-me em tubos de ensaio, sem gênero, cor, número ou grau, espalhada em pequenas placas, observada por mim mesma através de microscópios potentes, em situações adversas, infectadas, virulentas, e, então, desvelada até os átomos mais profundos da minh’alma - por mim mesma!
O que eu faria se não tivesse um censor materialista? Dizem que o dinheiro incontável dá esse tipo de permissividade às pessoas. Quem eu seria? Ainda a que acho que sou ou aquela que tento ser? A que eu quero ser ou a que nunca imaginei ser? Afinal, "quem sou eu para mim? Só uma sensação minha"? Escrava, "sou todas essas coisas, embora o não queira, no fundo confuso da minha sensibilidade fatal".
Moa.
(e) Fernando Pessoa, por citações.
Moa, moa!
(*) Do italiano para o português: "mundo cão", expressão apropriada do documentário intitulado Mondo Cane, de Gualtiero Jacopetti. Quando lançado no Festival de Cannes, em maio de 1962, o longa foi chamado de "shockumentary" - documentário chocante. Apresenta uma coleção de imagens com as mais incríveis e improváveis situações protagonizadas pela raça humana. Cenas de depravação, perversidade, rituais bizarros, comportamento cruel e violência animal. O termo tornou-se sinônimo para perplexidade e sensacionalismo.

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