Entre, fique à vontade. Sente, relaxe, aproveite. Vai ser um pouco alto, mas eu sou assim mesmo**. São apenas lagartixas divinas *** - as minhas lagartixas. Às vezes, partos cerebrais***. E nada mais.



(*) crédito a Ton K.; (**) Marvin Gaye; (***) Nietzsche















terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ouvido interno

Katrina pergunta-se, em voz alta, por que é, às vezes, tão volúvel ou impulsiva com os outros. Uma voz inaudível e curiosamente familiar lhe dá a resposta:
- Porque minha mente me trai. Dá lugar a outros, outros vis. Deixa-os entrar. Soprar. Manipular. Às vezes, minha inteligência some, como se tudo fosse uma grande confusão, um buraco negro, que engole tudo e não revela nada. Mas eu, consciente, sempre. Quando busco algo que me era tão íntimo, ele escapa feito centelhas, centelhas negras. Noutras, falo coisas que não sei, que não parecem minhas, que não sei como sei. E eu consciente, sempre. E por vezes, muitas, quando capturo tudo me foge, como se não fosse eu a que tivesse lido, visto, ouvido - mesmo sendo eu a que tenha devorado - e com a ânsia de quem quer saber tudo, mas que sabe que tudo não pode ser visto, nem tudo lido, nem tudo pensado*. Tomada pela consciência. Sempre.
(*) Fernando Pessoa, Livro do Desassossego

Nenhum comentário:

Postar um comentário